Wednesday, June 14, 2006

Coisas de Mulher

Ele há-os para todos os gostos e para todas as ocasiões. Para cerimónias e para festas; para quando estamos alegres ou para quando estamos excitadas; para quando nos sentimos formais, ou para quando nos sentimos putas.
Por mim, perdia a cabeça e comprava-os todos aqui.









Friday, June 02, 2006

O castigo

"PUTA DESLEIXADA" - dizia em letras gordas o cartaz que ELA, por fim, me colocara ao pescoço. esquecera-me do cumprimento dos meus deveres e ELA decidira castigar-me. Ia exibir-me no bar do costume, para que toda a gente soubesse que eu era verdadeiramente: uma puta.
Pelo menos, fora o que me dissera.
E de, facto, obrigara-me a vestir como uma puta: um corpete preto muito justo, que ELA apertara brutalmente, fincando o SEU DIVINO PÉ no meu rabo, para puxar com mais força os fios do laço que deu nas minhas costas; um fio dental preto, meias de nylon também pretas, presas ao corpete por quatro ligas de metal brilhante e sapatos de verniz de tacão agulha altíssimo. O corpo completamente depilado, os olhos carregados de rimmel negro e os lábios muito vermelhos de baton completavam a minha imagem. E o cartaz que ELA me pendurara ao pescoço: "PUTA DESLEIXADA".
Com uma bofetada brutal, ordenou-me que entrasse no salão do bar.
Tive aí a minha primeira surpresa. Estava completamente cheio. Rostos de homens e mulheres que nunca vira enchiam todos os cantos e começaram a aplaudir quando entrei.
Só então percebi a humilhação que me esperava. Tudo tinha sido preparado pela DONA e ia ser o objecto central do espectáculo.
Forçado pelo corpete que me apertava até ao sufoco, não consegui impedir-me de balancear as ancas de um modo extremamamente feminino, enquanto caminhava até ao centro da sala. Seguindo as instruções recebidas, aí permaneci de pé e olhos no chão, oferecendo o show da minha ridícula imagem a todos os presentes.
Do sistema de som instalado num canto da sala, a DONA anunciuou:
- Queridos amigos, sabeis como esta puta reles me desobedeceu e tentou mostrar-se arrogante para comigo; sabeis, embora ela o ignore, como decidi castigá-la. Espero que no final desta noite vos tenhais divertido e ela tenha aprendido uma lição. Vou iniciar as hostilidades.
Dito isto, caminhou até ao meio da sala, agarrou-me nas mãos e algemou-mas atrás das costas. Agarrando-me pelos cabelos, forçou-me a ajoelhar e, depois, a focinhar no chão. Colocou-me um PÉ no pescoço e gritou-me, de forma a que todos ouvissem:
- Esta noite vais aprender uma lição, puta. Vais aprender que quando te dou uma ordem, ela é para ser cumprida e que nunca, nunca, nunca, sob pretexto nenhum , deves desobedercer-me.
E soltando o PÉ do meu pescoço, caminhou até ao balcão e dele tirou uma lata de ervilhas que abriu e despejou no chão. Depois trouxe a lata até junto de mim e pousou-a ao lado da minha cara:
- Agora, puta, assim como estás, algemada, vais rastejar até às ervilhas e, uma a uma, vais apanhá-las todas com a boca e pô-las outra vez dentro da lata. Lembra-te bem, só podes apanhar uma de cada vez e, no fim, não pode haver nenhuma fora da lata.
Sem alternativa, humilhada, apertada dentro do corpete, iniciei a minha tarefa: uma viagem de rastos até ao balcão, uma ervilha apnahada com a boca, uma viagem de regresso à lata, para a largar e recomeçar tudo de novo.
Durante cerca de meia hora, os espectadores acompanharam as minhas viagens, rindo-se, atirando-me chistes jocosos, cuspindo-me, um ou outro aplicando-me pequenas chicotadas nas nádegas. Depois cansaram-se de me ver e decidiram pôr música e começara a dançar. A minha DONA optou então em levar a lata das ervilhas para mais longe, para um canto no outro extremo da sala, para que ninguém a derrubasse.
A minha tarefa tornou-se então infinitamente mais difícil. tinha que contornar os pares que dançavam e era pisado por eles, nas minhas viagens que corriam agora entre os dois extremos da sala.
Não sei quantas horas passaram. Muitas, certamente, e eu estava exausta.
Por fim terminei e comuniquei-o à DONA.
Ela interrompeu a música e fez o anúncio público:
- A puta diz que terminou - proclamou ela ao microfone - Alguém encontra ainda alguma ervilha pelo chão?
Ninguém encontrou.
Então, do bolso da sua blusa decotada, ela tirou uma e fritou:
- Mas eu ainda aqui tenho uma ervilha que a puta não apanhou! Vamos à segunda parte.
E fez-me seguir de novo para o centro da sala, obrigando-me aí a deitar de quatro. Através de um qualquer mecanismo eléctrico, do chão ergueram-se cinco ganchos. Através de uma trela ligada à coleira que permanentenmente uso ao pescoço, este foi preso ao gancho da frente. Com algemas de metal brilhante, os meus pulsos e os meus tornozelos foram firmemente aprisionados aos outros quatro ganchos. De focinho no chão e rabo no ar, Fiquei de quatro, toda aberta e exposta.
A DONA vendou-me os olhos e proclamou:
- Vamos então ao nosso sorteio!
Cego pela venda, senti uma certa agitação e movimentação na sala e depois ouvi a minha DONA proclamar:
- Os vencedores são a DONA X e o Dom Y.
Primeiro houve gritos e festejos. Depois, uma acalmia geral e percebi que as pessoas se tinham sentado.
Alguns minutos se passaram. Ouvi passos de tacões altos a aproximarem-se de mim.
Depois, antes que pudesse aperceber-me do que que quer que fosse, uma tremenda reguada estalou nas minhas nádegas. Com a surpresa, não fui capaz de evitar um grito.
- Silêncio! - ordenou-me uma voz feminina autoritária - Se começas já a gritar, vais ficar rouco no fim da noite.
E "plaz": nova reguada. Depois outra, e outra, e outra, e outra e mais outra.
Perdi-lhes a a conta. Os meus gemidos tornaram-se apenas guturais e deixei que as lágrimas me corressem pelos olhos.
- Bem terminámos o aquecimento - disse a voz autoritária, provocando o riso nos presentes - Vamos à função.
Senti o fio dental a ser puxado para o lado. Uma sensacção de frescura invadiu-me o ânus. Era Ela a espalahra-me o lubrificante:
- és ou não és uma puta? - perguntou-me ela.
- sou sim - respondi baixinho.
Uma palmatoada rija atingiu-me de novo as nádegas.
- responde alto, para todos ouvirem, quando te faço uma pergunta. és ou não és uma puta?
- sou sim! - respondi agora bem alto
- Sou, sim , o quê? - insistiu Ela.
E mais meia dúzia de palmatoadas foram descarregadas no meu rabo.
- sou uma puta, minha Senhora - corrigi eu.
E Ela, sem mais, colocou a ponta do dildo que eu já advinhava na entrada do meu ânus.
Senti que a invasão ia começar.
Mas nunca a podia imaginar daquela maneira.
Sem um aviso, sem uma palavra, sem um sinal, Ela avanço brutal.
Gritei de dor e contraí instintivamente o esfíncter.
Ela riu-se:
- Queres festa, não é puta? Pois vais tê-la!
E agarrou-me com firmeza as ancas e avançou de novo com o dildo.
Senti que era enorme e que não ia ser capaz de o aguentar:
- Piedade, Senhora, Piedade! Não sou capaz!
- És capaz, sim, puta - corrigiu-me ela - vai-te doer, como tu nunca imaginaste que nada te pudesse doer, mas és capaz. Vais ser capaz, porque eu não quero desiludir a tua DONA.
E com uma força que eu jamais vira nem imaginara posssível, agarrou-me outra vez as ancas e sem recuar ou ceder um milímetro enterrou-me o dildo infinito pelo ânus dentro.
Senti-me toda aberta, penetrada, destruída, cheia como um balão prestes a rebentar.
Gritei como uma doida, chorei, tentei espernear e fugir. E só consegui fazer sangrar os pulsos e os tornozelos presos às algemas.
Ela ria-se e o público aplaudia.
Esgotada e extenuada, deixei de resistir.
Ela fodeu-me como nunca nenhuma mulher foi fodida.
Com aquele falo gigantesco penetrou-me quantas vezes quis, enterrando-o e tirando-o ao sabor do seu ritmo. eu já só era passividade pura. deixei-me penetrar, deixei-me invadir, deixei-me encher por aquela massa riga e grossa com que Ela usava como um verdadeiro pénis.
Deixei-me foder.
E já rendida e sem vontade própria, quando comecei a ouvir-lhe os primeiros gemidos, instintivamente, quase sem dar por isso, comecei a acompanhar as suas investidas cada vez mais rápidas com movimentos igualmente rápidos das minhas ancas, que procuravam agora segurar dentro de mim o falo dantes insuportável. Procurava prender o falo dento de mim e lutar contra as estocadas dela.
Em breve os seus movimentos se tornaram incontroláveis e Ela explodiu num orgasmo telúrico e feérico que toda a sala viveu e aplaudiu.
Com mais duas ou três estocadas lentas, acabou por retirar o falo de dentro de mim e eu quis deixar-me cair extenuada, mas não pude, por causa das algemas e dos ganchos que manietavam os membros e o pescoço, impedindo-me qualquer movimento.
- É assim que eu gosto de ti e que a tua DONA te quer - disse-me Ela - uma puta, que é aquilo que tu és e que tens que te mentalizar que hás-de sempre ser.
A verdade é que foi já como uma autêntica puta que eu aceitei o Dom Y.
Esperava que ele também me quisesse possuir, mas ele optou por me exigir que lhe chupasse o pénis largo. Era um pénis circuncidado, não muito comprido, mas muito gordo.
acaricei-o com as minhas mãos. chupei-o. engoli-o. apertei-o com os meus lábios vermelhos de baton.
E, por fim, incapaz de se controlar por mais tempo, explodiu num orgasmo infernal. O jacto quente do seu sémen encheu-me a boca e a cara.
A DONA libertou-me das algemas e tirou-me a venda. Fotografou-me a saborear aquele líquido quente e amargo e só depois mo deixou engolir.

A manhã já começava a raiar. No rosto de todos, lia-se o sono e o cansaço.
De microfone na mão, a DONA assinalou o fim da festa:
- Bem, meus caros amigos, estamos já todos muito cansados. Sugiro que vamos todos dormir um pouco nos quartos do primeiro andar e, como parece que vamos ter um dia magnífico, quando acordarmos começaremos com um bom banho e um belo pequeno almoço servido pela puta nas mesas na esplanada à volta da piscina.
E voltando-se para mim, especificamente:
- Mas para ti a festa continua, puta, arruma a sala toda e não te esqueças de apanhar as ervilhas todas, uma a uma. Tem cuidado, porque há câmaras por todo o lado a filmar-te e a ver se cumpres as ordens como eu tas dou. É uma a uma. Com a boca.
E dizendo isto, espalhou outra lata de ervilhas pela sala, fez os convidados sairem.
E atrás deles saiu também, fechando a porta à chave.
De todos os lados do tectos e das paredes, vi as câmaras de vigilância ligarem-se.

Tuesday, May 09, 2006

Na antecâmara

Pôs-me a trela na coleira à volta do pescoço e puxou-me com força, ignorando que os sapatos de tacão alto e a mini-saia travada me impediam os passos compridos. Conduziu-me até junto da SUA secretária e apontou-me o tapete no chão, repleto de grãos de milho:
- Ajoelha e estende a palma das mãos abertas! - ordenou-me.
Obedeci.
Lentamente, tirou da gaveta da secretária a palmatória.
- Sabias que estavas obrigada a escrever-me um mail apaixonado todos os dias. Porque não o fizeste? - interrogou-me.
- Porque não fui capaz, QUERIDA DONA! - respondi.
- Resposta errada! - gritou-me.
E a primeira reguada caiu rija e firme!
- Sabias que estavas obrigada a escrever-me um mail apaixonado todos os dias. Porque te apresentas de mãos vazias?
- Porque estou demasiado cansada, QUERIDA DONA!
- Resposta errada outra vez!
Trash..., trash... - Duas novas reguadas cairam ainda mais duras.
- Sabias que estavas obrigada a escrever-me um mail apaixonado todos os dias. Porque me desobedeceste?
- Porque sou uma puta desobediente! - sussurrei num gemido doloroso.
- Parece que começamos a entender-nos, mas quero ouvir isso alto!
Trash... trash... trash... trah... - mais quatro reguadas.
- Porque sou uma puta desobediente - gritei alto, quase sufocada pela dor.
- Muito bem! E as putas desobedientes têm que ser castigadas. Abre bem as mãos! Conta as reguadas e agradece cada uma.
Trash.
- Uma. Obrigada, DONA.
Trash.
- Duas. Obrigada, DONA.
Trash.
- Três. Obrigada, DONA.
Trash, trash, trash, trash, trash.
As reguadas começaram a cair loucas, umas atrás das outras. Deixei de as poder contar.
Quantas foram? Vinte? Trinta? Quarenta?
As lágrimas corriam-me pela cara e só sustendo a respiração conseguia impedir-me de gritar.
Por fim, ELA parou.
- Levanta-te! - ordenou-me.
Mais uma vez, obedeci.
- Despe a saia! - continuou ELA - E as calcinhas.
Cumpri. E revelei a poderosa erecção que me possuía.
- O que é isto? - Perguntou ELA, em fúria - Porque não me disseste que estavas a sentir prazer?
- Porque estava sufocada pela dor - respondi com medo.
Nunca a tinha visto tão furiosa! Agarrou-me pelo cabelo e puxou-me a cabeça violentamente para trás. Cuspiu-me na cara:
- Escuta bem, puta! Eu gasto um tempo infinito a treinar-te, a fazer de ti uma puta minimamente decente e prestável. Eu é que decido quando tu deves sofrer e quando tu podes e se podes ter prazer. E quando eu te castigo, é para tu aprenderes a evitar comportamentos que não são próprios de uma puta. Entendeste-me? Se tu sentes prazer no castigo, tens obrigação de Mo comunicar imediatamente, para eu o mudar. Porque está errado sentires prazer, quando eu te castigo. Porque se o sentires, vais errar outra vez, só para eu te castigar de novo. Não é verdade, puta?
E cuspiu-me de novo na face.
- É sim, minha DONA.
- E não é isso que nós pretendemos, pois não, puta?
- Não, minha DONA.
- O castigo é para tu o sentires como absolutamente desagradável e odioso. Para, sabendo que ele virá quando errares, tudo fazeres para não errar no futuro. Compreendes, puta?
- Compreendo, sim, minha DONA. Não o esquecerei.
- Sei que o não esquecerás - continuou ELA, já calma - porque eu farei com que nunca o esqueças.
E antes que eu pudesse esboçar um gesto de defesa, a sua bota de couro atingiu-me brutal nos testículos.
Rebolei no chão esmagada pela dor, incapaz de respirar, incapaz de pensar, incapaz de viver, incapaz do que quer que fosse, a não ser de me encolher e rebolar de dor.
Gritei, chorei, gemi.
E completamente subjugada, controlada e dominada pela DONA, rastejei até ELA, abri muito as pernas, expondo até acima as ligas do ligueiro preto que me seguravam as meias de nylon também pretas, expondo-me toda:
- Obrigada, QUERIDA DONA. PODEIS atingir-me de novo - solucei.
- Tu não compreendeste nada, puta! Vocês não compreendem nunca absolutamente nada - exclamou ELA desiludida.
- Tu não vês - continuou - que eu detesto a violência? Sobretudo esta violência gratuita, que nem para te educar serve? Só há um castigo que vocês verdadeiramente entendem: a privação da presença da DONA. Segue-me! - ordenou.
Segui. Conduziu-me à sala onde pela primeira vez a vi: a câmara da solidão.
- Ei-la! - apresentou-ma ELA - Acabou de chegar da América. É uma invenção nova.
O meu olhar questionou-A e ELA prosseguiu:
- vocês escravos são uns merdas que nunca aprendem as lições que NÓS vos ensinamos. São incapazes de um sacrifício genuíno. Repito: a única linguagem que vocês entendem é a linguagem do castigo e o único castigo eficaz é a privação da presença da DONA. Esta máquina, a câmara da solidão, leva este conceito de privação ao seu limite. Encerrado nela, o escravo dispõe de todo o conforto que é possível dispor dentro do seu espaço exíguo e dispõe de tudo o que precisa para sobreviver. Mas fica completamente isolado do mundo e da DONA. Uma vez cerrada a porta, não há maneira alguma de a tornar a abrir antes de decorrido o tempo pré-programado de duração da pena. Lá dentro, a escuridão e o silêncio são absolutos. Nenhuma luz ou som exterior, absolutamente nenhuma luz ou som exterior, chegarão ao prisioneiro. O mundo cá fora pode até ter acabado, que ele não se aperceberá. Ficará completamente só, mergulhado na solidão mais absoluta. Não verá nem ouvirá absolutamente nada, nem poderá ver nem ouvir absolutamente nada. E, como disse, não há maneira possível de interromper o cumprimento da pena. Por muito mal que se sinta, o prisioneiro não tem forma absolutamente nenhuma de comunicar com o exterior. E se alguém tentar forçar a abertura do exterior, serão imediatmente libertados na câmara gases letais que matarão o prisioneiro. A única forma possível de abrir a porta é deixar decorrer o tempo da pena. Foi inventada numa cadeia de alta segurança na América, para reclusos mais relapsos à aceitação do modo normal de privação da liberdade.
- Mas o sofrimento lá dentro deve ser atroz - comentei - deve conduzir rapidamente à loucura.
- Podes ter a certeza disso, puta! Quem experimentou a câmara da solidão, mesmo só por uma horas, não quis repetir a experiência. O sofrimento do isolamento absoluto é indizível e ninguém o suporta mais do que uns poucos dias, muito poucos. Ninguém resistiria lá dentro mais do que uma semana sem enlouquecer definitivamente. Mas é também por isso que quero falar-te, puta. Depois das tuas faltas inqualificáveis, tu precisas de ser castigada a sério. Programei a câmara da solidão para um mês. Mas não tenciono encerrar-te lá dentro.
Respirei de alívio e ELA percebeu.
- Mas não te entusiasmes, porque essa decisão poderá ser tua. Liberto-te desde este momento de todos os teus votos de escravo. És livre! No teu quarto estão as tuas roupas baunilha. Poderás vesti-las e sair daqui de casa como um homem livre, esquecendo para sempre que aqui alguma vez entraste. Eu também para sempre te esquecerei.
- Em alternativa - ACRESCENTOU acentuando a crueldade no tom de voz - poderás entrar, por tua livre escolha, na câmara da solidão e nela permanecerás durante um mês. Sem que, depois de fechada a porta, e mesmo que eu o deseje muito, possas ser libertado.
Suspirei.
- Não te iludas! A tua razão não resistirá. Sofrerás o que ninguém pode sofrer e a única coisa que te poderá aliviar a dor é, no teu último pensamento são, poderes ter a certeza que permanecerás para sempre no meu coração e que eternamente te amarei.
O silêncio instalou-se uns segundos.
- Escolho a câmara - disse eu baixinho, avançando para ela de lágrimas nos olhos, depois de breves momentos de hesitação.
- É a tua escolha - insistiu ELA - Eu não te censuro nem te condeno se escolheres a porta da liberdade. Compreenderei e esquecer-te-ei.
- Amo-VOS muito, DEUSA - disse eu, entrando na câmara.
- Também EU te amo muito, minha puta escrava.
- Gostava muito de VOS beijar antes da porta se fechar!
As lágrimas corriam-me abundantes.
- Também eu gostava muito de te beijar, escravo amado! - redarguiu-me ELA também desfeita em lágrimas- E essa renúncia será o último sacríficio que farás por mim e definitivamente te consagrá como GRANDE NO MEU CORAÇÃO.
E com um gesto simples, fechou a porta.

Wednesday, April 19, 2006

A renúncia

Há um ano que me encontrava preso naquela masmorra.
- Servir-me-ás incondicionalmente durante um ano - dissera-me ELA - e oferecer-te-ei- o céu.
Servi.
Não, porém, da forma que imaginara.
Entregou-me um conjunto de tanga e soutien e encerrou-me na masmorra que existia no torreão da sua casa, construída sobre as escarpas, junto ao mar, num país tropical desconhecido, onde cheguei vendado e anestesiado.
Rápida e autoritária, gritou-me:
- Esta será toda a roupa a que terás direito durante a semana. Vesti-la-ás sempre. Uma vez por semana sairás, para tomar banho de água fria no quarto de banho dos escravos e ser-te-á dada uma lingerie nova. Farás as tuas necessidades no balde junto ao canto e uma vez por dia sairás durante cinco minutos para o despejar e lavar. O despertador toca às sete da manhã e as luzes apagam-se às vinte e uma. Das oito ao meio dia e das quinze às dezanove estás proibido de te sentar ou deitar. Ser-te-ão servidos restos de comida três vezes por dia e haverá uma tigela com água que um escravo te trará todos os dias. Comerás sempre de gatas, sem usar as mãos. Poderás ler os livros que quiseres e escrever-me-ás um poema todos os dias, depois de permaneceres duas horas de joelhos a pensar em MIM e a amar-ME platonicamente. Estás proibido de te masturbar, a não ser que algum dos meus escravos to ordene e, se to ordenar, servi-lo-ás exactamente como te for mandado. Cada movimento e cada gesto teu será controlado pelas câmaras existentes na masmorra e serás imdiatamente expulso e abandonado apenas com a tua roupa no aeroporto de Lisboa, em caso de violação de qualquer uma das regras que acabei de te enunciar e que espero tenhas fixado. Não voltarás a ver-ME durante um ano. Talvez oiças a MINHA VOZ. Se estiveres à altura, daqui a um ano oferecer-te-ei o céu.
E saiu, fechando à chave a porta maciça da masmorra.
Cumpri. Escrevi trezentos e sessenta e cinco poemas que LHE rendiam a minha homenagem e A exaltavam até às esferas celestes.
Uma vez por semana, dois escravos DELA entravam na masmorra e espancavam-me sem piedade. Por cinquenta e duas vezes provei a régua e o chicote. Por cinquenta e duas vezes soube o que era ser castigado por um pénis rijo e poderoso que me devassava, enquanto outro se enterrava na minha garganta até ao orgasmo.
Por quatro vezes apenas, recebi autorização para me aliviar. E das quatro recebi um bilhete DELA elogiando-me o comportamento e dando-me coragem, para aguentar até ao fim.
Servi e aguentei.
E o ano passou. O dia nascera luminoso. O Sol refulgia na janela sem vidro da masmorra e o azul do mar estendia-se, sereno, até ao infinito. Ao longe, um veleiro vogava, ao sabor da brisa.
ELA entrou com todo o SEU esplendor. Umas simples calças de ganga e uma blusa branca decotada bastavam para fazer DELA uma DEUSA. Não precisava do couro nem do chicote, para se mostar dominadora e autoritária.
Ajoelhei. Ela sorriu meiga:
- Não te ajoelhes. Já me provaste o que vales.
Levou-me para a varanda sobre o mar. Sentou-me à SUA mesa e ordenou que me servissem um pequeno almoço continental.
Havia um ano que não me sentava numa cadeira e não provava o sabor de um sumo natural de frutas.
Agradeci com lágrimas e senti-me logo no prometido céu.
- Foste forte - disse-me ELA - e conquistaste-ME.
Baixei os olhos em agradecimento.
ELA prosseguiu com uma voz meiga que não LHE conhecia:
- Oferecer-te-ei tudo. Servir-ME-ás de agora em diante no meu quarto. Beijar-ME-ás a BOCA, lamber-ME-ás os PÉS, acariciar-ME-ás os SEIOS, possuir-ME-ás e terás os MEUS escravos às tuas ordens.
- O céu - murmurei, num susurro.
- O céu - confirmou ELA.
- De graça - concluí.
- Não! - corrigiu ELA - pagarás o preço mais alto que algum escravo pode pagar.
Interroguei-A com os olhos e ELA continuou:
- Tornás-te-ás vulgar e indigno de MIM, porque não soubeste renunciar e viver um amor puramente platónico. Perderás o MEU respeito, porque não soubeste sacrificar-te e preferiste o teu prazer egoísta à entrega incondiconal ao MEU poder. Perderás a MINHA admiração, porque te limitaste a ser igual aos outros. Escolheste servir-te a ti, em vez de ME servir a mim.
- Não! - interrompi-A eu, a chorar - Prefiro o inferno!
- A escolha é tua! Podes renunciar e conquistar para sempre o MEU CORAÇÃO.
- Renuncio! - gritei eu - Amo-VOS muito!
- Pensa bem. Não será fácil. O que passaste neste ano não será nada, comparado com os tormentos indizíveis que te reservo.
- Renuncio! - insisti.
- Olha que te espera um inferno sem esperança!
- Renuncio.
- Não haverá nenhum ano para acabar! Sofrerás para o resto da tua vida. Talvez nem sequer ME vejas nunca mais, embora EU te faça sentir o quão grande serás então na MINHA ALMA.
Chorei.
ELA aproximou da minha boca e dos meus olhos o decote largo, que deixavam advinhar os SEUS SEIOS DIVINOS.
- Serás capaz de renunciar ao perfume suave dos MEUS SEIOS? - interrogou-me provocante.
Chorei.
- Trocarás o toque macio da MINHA PELE, pela dor cortante do látego que te dilacerará o corpo e a alma?
Chorei.
- Trocarás o orgasmo másculo que podias ter dentro de mim, pelo orgasmo platónico de te veres, de uma vez por todas, transformada numa puta que dará prazer, sem nunca o poder ter? Trocarás para sempre o teu prazer pelo MEU prazer?
- Trocarei - respondi segurio e já sem lágrimas.
SERÁS CAPAZ? - gritou ELA. - SEM REGRESSO?
- Serei capaz!
- Para sempre? Sem regresso?
- Para sempre! Sem regresso!
E ajoelhei.
ELA tirou da carteira a coleira; apertou-a firme à volta do meu pescoço, até me cortar a respiração e arrastou-me sem piedade de novo para a masmorra.
A porta fechou-se e ouvi as voltas da chave a cerrarem a fechadura.
"Se o mundo fosse justo": foi o primeiro verso do primeiro poema do resto da minha vida.

Monday, April 17, 2006

O princípio da felicidade

Reconhecer quem manda, dobrar a cerviz e aprender o nosso lugar.